GWEC confia em fabricantes

O secretário-geral do Global Wind Energy Council, Steve Sawyer

O secretário-geral do Global Wind Energy Council, Steve Sawyer

A maioria dos fabricantes estrangeiros de turbinas que se instalou no mercado eólico brasileiro nos último anos vão tentar seguir à risca as regras de conteúdo local existentes, diz o secretário-geral do Global Wind Energy Council (GWEC), Steve Sawyer.

“Eu acho que eles vão fazer de tudo para dar certo, mesmo se o montante de energia leiloada ficar perto de 2GW ou 2.5GW por ano”, diz Sawyer, acrescentando que fabricantes como a Wobben, Impsa, Gamesa, Alstom e GE já conseguiram atender os critérios do BNDES, enquanto outros como a Vestas estão perto de o fazer.

Ainda há dúvidas no ar se outras empresas, como a indiana Suzlon e a alemã Siemens estão dispostas a fazerem os investimentos necessários para atenderem as regras. 

Enquanto as novas regras tiveram algum sucesso em criar capacidade de produção local, elas também estão criando alguns desafios para o mercado brasileiro. Sawyer estima que os preços das turbinas subiram até 25% no último leilão de energia eólica, realizado em agosto, quando comparado com o último leilão, o que torna a fonte menos competitiva.

Contudo, ele salienta que o preço médio do leilão de R$110/MWh ainda é “muito barato”. “Os R$87/MWh [do último leilão] foram ridículos, a questão agora é se os R$110/MWh ou algo em torno disso passará a ser o preço normal”, diz Sawyer.

Em termos gerais, Sawyer afirma que regras de conteúdo local “são uma coisa boa”. Contudo, ele acrescenta que as últimas regras do BNDES vão aumentar os custos das máquinas e criar alguns gargalos e uma espécie de cartel na cadeia de suprimento. “Interferir nas etapas do programa de nacionalização dos componentes não ajuda, mas o setor pode viver com isso. O importante é ser transparante e não fazer mais mudanças”.

As regras também exarcebaram o problema da sobrecapacidade no mercado eólico global, com companhias como a GE, por exemplo, construindo uma nova fábrica no Brasil mesmo tendo muita capacidade nos Estados Unidos também.

Além disso, a política brasileira de nacionalização de equipamentos pode enfrentar algum tipo de problema com a Organização Mundial do Comércio (OMC), apesar de que o governo pode perceber ter atingido o objetivo e desistir das regras antes que isso aconteça. “Isso não é uma política do governo nacional, é uma política do BNDES, mas este é um banco do governo e as possibilidades de arranjar financiamento independente do BNDES são muito limitadas”, diz Sawyer, que prevê, contudo, que “ninguém irá desafiar as regras neste momento”.

Sawyer atribui o primeiro ano de operação das usinas eólicas, que atingiram um fator de capacidade de 54%, ao “extraordinário e singular” recurso eólico brasileiro e diz que a fonte está em uma posição interessante para se tornar a segunda fonte de geração depois da hidreletricidade. Contudo, o setor enfrenta um número de desafios de curto e médio prazos.

Um dos mais importantes desafios são as restrições de conexão ao grid, que já trouxeram limitações ao número de projetos que podem competir nos leilões. Sawyer espera que o plano do presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Mauricio Tolmasquim, de leiloar 6GW de capacidade de linhas de transmissão no final deste ano “possa ajudar bastante”.

Em um sentido geral, Sawyer diz que as críticas de outras fontes estão crescendo. “A potencial nebulosidade é a mesma que nós estamos vendo na Europa. Por anos, a eólica foi criticada por ser muito cara, e agora está sendo criticada por ser muito barata”, afirma. Ele acredita que “as outras fontes não se preocupavam com a energia eólica até que ela começou a incomodar os negócios deles, mas agora eles estão percebendo que ela está afetando os negócios deles”.

Ele diz que este tipo de crítica é a real razão pela qual a eólica foi excluída do último leilão A-5, realizado em agosto. “Tem essa história de estabilidade do sistema, mas eu não compro essa história”, ele opina.

Outro importante fator é se a economia brasileira vai continuar crescendo e por conseguinte a demanda por eletricidade. Qualquer retração no crescimento econômico poderia culminar com “uma quebra de expectativas” no florescente setor eólico nacional, ele pontua.

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